[ editar artigo]

Saúde mental: como lidar com a ansiedade em tempos de distanciamento social?

Saúde mental: como lidar com a ansiedade em tempos de distanciamento social?

Seja no trabalho, na academia ou até num bate-papo entre amigas, a frase: “Nossa, eu tô ansiosa” sempre surge em algum momento. E, em tempos de coronavírus, esse sentimento está ainda mais presente em nossas vidas. Por isso, gostaria de propor uma reflexão: como anda a sua saúde mental?

Saúde mental, no geral, remete a capacidade das pessoas lidarem com situações boas ou ruins do dia a dia, que envolvem os sentimentos de alegria, tristeza, raiva e frustração. Não existe fórmula certa para esses enfrentamentos, o importante é você sentir que conseguiu lidar com essas emoções e seguir a vida. 

Manter a saúde mental nos dias de hoje não é tarefa fácil, especialmente diante dos muitos problemas vividos. Esse desequilíbrio emocional facilita o surgimento dos famosos transtornos mentais. As principais queixas se relacionam aos sintomas de ansiedade, sejam os físicos (taquicardia, sudorese, tensão muscular, alteração na respiração etc) e/ou os psicológicos (descontrole dos pensamentos, preocupação exagerada, hipervigilância, irritabilidade entre outros). 

É importante lembrar que a ansiedade é uma emoção normal do ser humano, que surge geralmente nos momentos em que precisamos enfrentar desafios, mudanças e situações estressantes. O ponto de atenção para a doença é quando percebemos que não estamos conseguindo lidar com as situações por causa de alguns dos sintomas acima (ou outros relacionados ao quadro) e também quando isso começa acontecer com mais frequência e em situações aparentemente simples e rotineiras. 

Por isso, o autoconhecimento e o feedback das pessoas próximas, nos ajudam a refletir sobre algo que pode estar fora de controle e o momento de pedir ajuda.

Os dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) revelam que o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo, são 18,6 milhões de brasileiros - aproximadamente 9,3% da população. Dentro desse cenário, também estão os Influenciadores, que segundo uma pesquisa realizada pela Squid, boa parte deles se sentem ou já se sentiram ansiosos, conforme dados abaixo:

• 78% dos entrevistados afirmando que já se sentiram ansiosos.

• 84% quando consideramos apenas os influenciadores entre 18 e 25 anos, mostrando ser uma questão que acaba afetando os mais jovens. 

Muitos são os fatores que podem levar ao diagnóstico de transtorno de ansiedade, mas acredito que um deles está relacionado a alta exposição desses profissionais nas redes, fazendo com que eles estejam sujeitos a constante avaliação. 

A avaliação dos seguidores (fãs) pode gerar sentimentos de amor, cuidado, admiração e carinho, ou seja, experiências positivas e facilitadoras que geram crescimento e motivação para o trabalho, mas ao mesmo tempo uma grande expectativa e autocobrança por parte desses profissionais. 

Já a avaliação vinda dos haters, pode gerar sentimentos de frustração, raiva, desrespeito, resultando numa experiência negativa e tóxica que pode gerar insegurança, desânimo, bloqueio criativo e consequentemente um estado de ansiedade que passa a comprometer a saúde e a rotina desse profissional. 

Isso, de alguma forma pode ser identificado na pesquisa da Squid, quando 88% dos influenciadores admitiram que se sentem ansiosos com a performance daquilo que publicam. E isso é ainda maior entre os jovens de 18 e 25 anos (93%), mostrando mais uma vez que a ansiedade afeta os mais jovens. Além disso, 63,1% dos criadores de conteúdo entrevistados revelaram que se sentem confortáveis com o sumiço dos likes, o que evidencia o desejo de diminuir a avaliação a qual estão expostos.

No geral, observamos que  o trabalho como Influenciador requer, também, desenvolvimento emocional para lidar com as situações que a profissão exige, para que a satisfação com o trabalho e a vida pessoal não sejam comprometidas. É importante que esses profissionais encontrem, por meio do autoconhecimento, formas saudáveis de lidar com essas situações adversas.

Importante: falar sobre saúde mental ajuda a reduzir preconceitos, de que é coisa de louco ou frescura/fraqueza, e informar a população sobre a importância do autoconhecimento e autocuidado. 

Um beijo e até a próxima!

 

#ClubedaInfluência
Graziela Cirino Cabral
Graziela Cirino Cabral Seguir

Psicóloga (UNIMEP), com Formação Clínica na Abordagem Centrada na Pessoa e Orientadora Profissional e de Carreira. Já atuei com atendimento psicológico e desenvolvimento profissional de atletas, times e influenciadores da área de games e eSports.

Ler conteúdo completo
Indicados para você